domingo, 18 de outubro de 2009

REGULAMENTO DE 1845



Foi, sem sombra de duvida, este caráter primitivo e fundamental da Sociedade de S. Vicente de Paulo que lhe deu forças e permitiu sua rápida difusão. Muitas vezes, quando alguns cristãos procuram reunir-se numa pequena localidade sob o pacifico pendão do nosso santo padroeiro, surgem logo algumas almas assustadiças que temem a concorrência desses forasteiros às instituições preexistentes, às irmãs de caridade, ao clero, às obras beneficentes. Os pobres, dizem logo, são socorridos fartamente; fazer mais por eles seria fazer demais, seria encorajar a preguiça, e, se não pretendem aumentar as esmolas, de que serve desperdiçar assim os recursos, com o risco de introduzir a confusão nas distribuições, onde antes reinava a mais perfeita ordem? Eis o que, nos primeiros dias de uma Conferência, muitas vezes se diz nas regiões isentas de miséria excessiva, parecendo, pois, ter certo fundamento. Mas se nossa finalidade consiste principalmente em fazer bem a nós mesmos, indo visitar os pobres, estas objeções caem por terra e somente resta, aos que nos temiam como rivais, o desejo de nos ver bem sucedidos. Todos os que desejam o bem, certamente hão de ver com bons olhos este espetáculo: homens de todas as classes, de todas as posições, de todas as idades, de todas as opiniões, reunidos pelos laços sagrados da fé, aprendendo a fazer o bem, sem o menor espirito de partidarismo, entrando no casebre do pobre, suportando as fortes impressões provocadas pelo quadro vivo da miséria e contribuindo assim para a difícil reconciliação do pobre com o rico, dos sofredores com os felizes deste mundo.

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